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Ana Luiza Albuquerque
Folhapress

Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, enxergam o influenciador Pablo Marçal (PRTB) uma vez que uma epístola na manga da campanha do rebento de Jair Bolsonaro (PL). Eles avaliam que o empresário, figura marcante da corrida eleitoral para a Prefeitura de São Paulo em 2024, pode entregar capilaridade do dedo e facilitar a ingresso de Flávio entre os eleitores das periferias.

Estrategistas de campanha especulam que Marçal pode atuar uma vez que o “spin doctor” do senador, ou seja, um profissional em controlar e manipular a informação. Por outro lado, o histórico do influenciador, que ascendeu na campanha à prefeitura com provocações, polêmicas e factoides, e acabou inelegível, poderia prejudicar Flávio, que precisa reduzir a repudiação para se tornar viável.

No mês pretérito, o rebento mais velho de Jair Bolsonaro surpreendeu quando, em seguida um encontro com empresários em São Paulo, foi parar na sede da empresa de Marçal em Alphaville, uma espécie de meca onde o influenciador promove suas palestras. Flávio foi levado pelo empresário Filipe Sabará, que também tem feito a ponte do senador com a Faria Lima e que coordenou o projecto de governo de Marçal em 2024.

Em entrevista à Folha em novembro, o influenciador havia dito que a direita era refém de Bolsonaro e que torcia pela subida de um outsider para a Presidência.

Dias em seguida ter recebido Flávio, a reportagem perguntou a Marçal por que decidiu apoiá-lo. Ele respondeu que o senador é o único Bolsonaro com “perfil presidenciável” e disse que pretende se engajar na campanha. “O coração dele é ensinável.”

Sabará, que foi pupilo do ex-governador João Doria e que depois se alinhou aos bolsonaristas, diz que o esteio de Marçal reforça a adesão do público conservador a Flávio, com seu predomínio do dedo —somente no Instagram, o influenciador tem quase 13 milhões de seguidores.

Ele também acredita que Marçal pode ajudar o senador a ocupar espaço nas periferias, por meio do oração do empreendedorismo, muito marcado na fala do influenciador. “Tem muita gente conservadora nas periferias que vota na esquerda por razão de transferência de renda. Esse voto é muito interessante e importante”, afirma.

Nas eleições de 2024, Marçal ganhou na maior segmento da zona leste de São Paulo e em alguns distritos da zona setentrião. Na zona eleitoral da Vila Formosa, na zona leste, o influenciador teve 34,59% dos votos. Terminou a eleição com 28% dos votos, recostado em Ricardo Nunes (MDB) e Guilherme Boulos (PSOL), que se enfrentaram no segundo vez.

Professor de marketing político na ESPM, com longo histórico em campanhas eleitorais, Marcelo Vitorino avalia que Marçal entrega mais problemas do que soluções para Flávio. Ele diz que o influenciador conversa, em universal, com o mesmo público do senador. Para falar com a periferia, por exemplo, uma escolha melhor seria caminhar com os evangélicos, que não têm uma fardo negativa.

Vitorino diz que o influenciador poderia ser útil na construção da candidatura de uma figura pouco conhecida –o oposto de Flávio. “Onde ele tem a associar não é onde o Flávio precisa. Ele precisa mostrar capacidade de unir pessoas em torno de um projeto. Isso o Marçal não faz, muito pelo contrário”, afirma.

Para o estrategista, a associação com o influenciador poderia, inclusive, atrair mais repudiação para o senador. Pesquisa Genial/Quaest de dezembro mostrou que 60% dos entrevistados diziam que não votariam em Flávio. O fator é citado uma vez que um travanca médio para a adesão em tamanho do centrão à campanha, já que dificulta a vitória sobre o presidente Lula (PT) no segundo vez.

“Marçal sabe muito muito usar o algoritmos para se projetar, mas também comete tropeços. Ele mesmo está inelegível pelas manobras que fez na disputa municipal”, diz. “[Se eu fosse o marqueteiro da campanha] o usaria de forma limitada e com supervisão. Pode até lucrar, mas depois perde o procuração porque infringiu regras.”

A visitante à meca de Marçal já acrescentou ao vocabulário de Flávio expressões do influenciador. Em entrevista ao blogueiro bolsonarista Paulo Figueiredo, divulgada na quarta-feira (7), o senador afirmou que seu sonho é “virar a chave da prosperidade na cabeça do povo brasiliano”.

Flávio falava sobre a urgência de mudar a mentalidade de pessoas que estão felizes em receber o Bolsa Família. “Isso que me motiva, virar essa mentalidade. Olha, a gente pode, a gente consegue. Depende de nós”, disse. Figueiredo percebeu a do dedo de Marçal e perguntou: “Teu novo camarada Pablo Marçal labareda de virar o código, não é isso?”.

O senador respondeu que o influenciador o recebeu de braços abertos. “A gente já tinha trocado algumas ideias um tempo detrás. Ele falou: ‘O que você quer que eu te ajude?’. Ele estava dando uma palestra, [falei] ‘Vamos lá, vou pedir para o seu público rezar comigo’. Ele abriu o palco dele, o que ele não faria para qualquer um.”

Naquele dia, a plateia de Marçal ovacionou de pé o senador. Em vídeo divulgado nas redes, Flávio aponta para o braço, sinalizando estar eriçado. “As portas estão abertas para você, vamos para a guerra juntos”, disse Marçal.

O senador falou algumas palavras e começou uma prece: “Sou enroupado em Cristo, o inimigo não me vê, ele vê Jesus”.

O influenciador afirmou que aquele ato não era político, mas profético. “As pessoas não estão acreditando que ele tem totalidade capacidade, só que essas pessoas não o conhecem.”

Marçal e a família Bolsonaro se aproximaram em 2022, quando chegaram a negociar o uso do conhecimento do dedo do influenciador em prol da reeleição do portanto presidente. Na campanha pela Prefeitura de São Paulo, Marçal ameaçou a preponderância de Bolsonaro entre seus eleitores, conquistando esses votos mesmo depois que a família se posicionou em prol do prefeito Ricardo Nunes.

Preocupados com o progresso do influenciador, o ex-deputado federalista Eduardo Bolsonaro (PL) e o vereador Carlos Bolsonaro (PL) abriram queimada contra Marçal, que chegou a invocar o segundo de “retardado”. O esteio dos bolsonaristas ao empresário, porém, levou a família a recuar para reduzir os danos políticos com o incidente.