Depois de 14 anos de um transgressão que chocou Jataí, na região Sudoeste de Goiás, o pecuarista Vinícius Almaça Garcia enfrentará o Tribunal do Júri nesta quinta-feira (23). Ele é denunciado de matar a madrasta, Sheila Regina Lima Rocha, com 13 tiros dentro da moradia onde os dois moravam, na tarde de 24 de dezembro de 2011, véspera de Natal. O réu responde por homicídio qualificado por ter utilizado um recurso que impossibilitou a resguardo da vítima.
De contrato com a denúncia do Ministério Público de Goiás (MPGO), Sheila estava no sofá da sala da moradia, localizada na Vila Fátima, quando foi atingida pelos disparos de uma revólver calibre .380. Os tiros acertaram a cabeça, o pescoço, o tronco, o punho esquerdo e também atingiram, de raspão, a mão direita. A perícia concluiu que os ferimentos provocaram a morte da vítima.
Segundo o MP, o relacionamento entre Vinícius e a madrasta era marcado por desentendimentos constantes. Horas antes do transgressão, Vinícius, a madrasta e o pai dele participaram de uma confraternização na moradia de amigos. Durante uma conversa sobre um medicamento de uso contínuo utilizado por Sheila, o denunciado teria interrompido a conversa e chamado a madrasta de “psicopata”. A enunciação provocou uma discussão entre ele e o pai, que pediu para o fruto deixar o lugar.
Ainda conforme a denúncia, Vinícius foi para moradia, encontrou a madrasta, discutiu novamente com ela e entrou no quarto. Pouco depois, retornou armado e efetuou os 13 disparos. Em seguida, deixou a arma na residência e fugiu em uma caminhonete. A tentativa de evadir terminou na BR-364, no sentido de Mineiros, onde o veículo capotou.
O julgamento ocorre muro de 14 anos e sete meses depois o transgressão, depois de uma longa tramitação marcada por recursos e adiamentos.
Família espera fechamento de um ciclo
Em nota, a assistência de denúncia, que representa a família de Sheila, afirmou que o júri representa a expectativa de uma resposta da Justiça depois mais de uma dez de espera.
Os representantes destacam que a denúncia apresentada pelo Ministério Público corresponde à versão construída durante a investigação, mas ressaltam que caberá ao Recomendação de Sentença determinar o caso com base nas provas apresentadas em plenário. A denúncia também afirma que os laudos periciais apontam que a vítima foi atingida por 13 disparos enquanto estava em repouso, estado que, segundo a nota, não é objeto de controvérsia.
A família declarou esperar que o julgamento transcorra de forma justa e que preserve a memória de Sheila Regina.
“Nossa mãe foi assassinada com 13 disparos no rosto enquanto dormia, assassinada por um varão que ela cuidou e amou uma vez que fruto. A versão da resguardo tenta desqualificar a vítima, zero justifica tamanha crueldade. Confiamos nas evidências. Depois 14 anos, aguardamos o júri. Não é vingança, é Justiça”, disseram Pâmella Lima e Mônata Lima, filhas da vítima, por meio de nota divulgada pela advogada.
Resguardo diz que apresentará outro contexto ao júri
A resguardo afirmou que pretende mostrar aos jurados que Vinícius enfrentava conflitos familiares e problemas psicológicos antes do transgressão. Segundo os advogados Mirelle Gonsalez e Luiz Alexandre Rassi, a tese será baseada nas provas reunidas durante o processo, incluindo documentos que tiveram o uso autorizado pela Justiça durante o julgamento.
Os advogados também informaram que um laudo da Junta Médica Solene do Poder Judiciário concluiu que o denunciado era semi-imputável, ou seja, tinha capacidade reduzida para entender seus atos. A resguardo ainda negou que Sheila estivesse dormindo quando foi morta, afirmando que essa informação não consta na denúncia apresentada pelo Ministério Público.
O julgamento está marcado para encetar às 9h, no Fórum de Jataí.
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