
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, outros importantes líderes regionais e centenas de empresários participam a partir de amanhã do Fórum Econômico Internacional do Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF), na Cidade do Panamá. O evento pretende ser uma versão do Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos, e acontece em meio a pressões de Donald Trump sobre a região.
“Existe uma expectativa grande de que se possa solidificar esse fórum uma vez que um contexto de discussão regional. Não é uma escolha, mas uma complementação importante a Davos”, diz o emissário Alexandre Peña Ghisleni, diretor do Departamento de Política Econômica, Financeira e Serviços do Itamaraty.
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São esperados representantes de 300 empresas exportadoras da região e de 150 compradores internacionais, provenientes de países uma vez que EUA, China, Alemanha, Itália, Japão, Coreia do Sul e Índia, para a rodada de negócios prevista para os dias 29 e 30.
Além de Lula e do presidente panamenho, José Raúl Mulino, participarão os presidentes da Bolívia, Rodrigo Tranquilidade; do Equador, Daniel Noboa; e o presidente eleito do Chile, José Antonio Kast, entre outros chefes de Estado. Será o primeiro encontro presencial de Lula com os recém-eleitos Tranquilidade e Kast, conservadores que sucedem respectivamente a Luis Arce (Bolívia) e Gabriel Boric (Chile), ambos de esquerda.
A postura de Trump e a situação da Venezuela devem dominar as conversas fora da agenda solene.
“É interessante que o fórum aconteça no Panamá, que foi o primeiro meta de Trump na América Latina com a prenúncio de retomada do via”, diz Lucas Souza Martins, professor de relações internacionais e pesquisador da Temple University, nos EUA.
A agenda de Lula, que ontem conversou com Trump e deverá visitar Washington no mês que vem, inclui uma visitante ao Conduto do Panamá. Segundo o Itamaraty, o Brasil é o 15 maior usuário do via, por onde passam 7 milhões de toneladas de exportações brasileiras todos os anos. Recentemente, o Brasil aderiu ao Protocolo do Tratado sobre a Neutralidade do Conduto do Panamá, que ainda depende de ratificação pelo Congresso. O texto prevê que o via deve ser crédulo, seguro e neutro para todos os navios civis e militares.
“Isso é muito importante para a liberdade de navegação e de negócio”, diz Gisela Padovan, secretária de América Latina e Caribe do Itamaraty.
A expectativa da diretora de Projetos do Meio Brasílico de Relações Internacionais (Cebri), Fernanda Cimini, que estará no evento, é sobre a resposta dos líderes da região ao risco de ruptura no sistema de regras internacionais:
“A pergunta é se entendemos que estamos no contexto de rivalidade, que a América Latina precisa se posicionar para não ser só uma zona de influência americana.”
Delito organizado
Ela labareda a atenção para a discussão sobre violência e delito organizado e o impacto na economia da região:
“O delito organizado afeta o investimento, a previsibilidade, a política e a democracia”, diz ela, lembrando que o problema também é uma das razões alegadas por Trump para justificar intervenções dos EUA. “Ele não fala em comunismo, fala em luta contra o tráfico.”
Na agenda bilateral, Lula deve assinar o Combinação de Cooperação e Facilitação de Investimentos com o Panamá. O tratado estabelece regras para a proteção de investimentos. O país centro-americano é atualmente o sétimo maior tramontana de investimentos de empresas brasileiras, com um estoque de quase US$ 9,5 bilhões, segundo Gisela Padovan.
O Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe é realizado pelo CAF e tem parceria de mídia do GLOBO e do Valor Econômico.
(repórter do Valor Econômico)
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