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Murado de 9,5 milénio pet shops encerraram as atividades em 2025, o equivalente a uma em cada 12 lojas do setor. Mesmo entre os que seguem operando, o cenário está longe de ser confortável, já que mais de 36,1 milénio estabelecimentos sobrevivem em situação de inadimplência ou possante fragilidade financeira.

Os números, estimados a partir do interceptação de dados do Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte e do Indicador de Falências e Recuperação Judicial da Serasa Experian, ajudam a explicar por que o propagação do setor não se traduz em sustentabilidade para milhares de pequenos negócios.

O crescente fechamento de lojas físicas não é um fenômeno só, mas o revérbero direto da mudança de comportamento do consumidor, da profissionalização do mercado e do progresso da tecnologia. A avaliação é de Silvio Cabral, da consultoria OurPet, fundador de empresas de base tecnológica e diretor de inovação, informação e marketing da Associação Brasileira Pet Tech.


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Segundo ele, o segmento atravessa atualmente um processo que define com uma máxima. “O mercado pet vive um momento de darwinismo do dedo. Não é o mais possante que sobrevive, mas o que melhor se adapta à tecnologia”, analisa. Cabral reitera que o ‘’varejo que não acompanhou a radical transformação dos hábitos dos clientes, ficou para trás’’.

Pandemia acelerou transição para o do dedo

Segundo ele, a pandemia foi um dos vetores que acelerou, em poucos meses, a transição que levaria mais de uma dez para ocorrer. O consumidor migrou definitivamente para o do dedo. ‘’Hoje, ninguém aceita mais esperar horas por um atendimento via WhatsApp para saber se um resultado está disponível. O cliente quer entrar, escolher, remunerar e receber rápido. Se a loja não chega até o celular do consumidor, ela simplesmente deixa de subsistir”, crava.

Nesse novo cenário, empresas já estruturadas tecnologicamente, uma vez que Petlove, Cobasi e Petz, ganharam fatias expressivas do mercado. “O faturamento do setor não desapareceu, somente mudou de endereço. Saiu da prateleira física e foi para a nuvem’’, frisa.

Outro fator decisivo para a mortalidade das lojas é o esgotamento do protótipo fundamentado somente na venda de produtos. “Ninguém sobrevive hoje vendendo só itens cuja margem não paga a operação”, explica. Ele sublinha que o pet shop que resiste é o que se transforma em hub de serviços. Esse movimento também levou grandes redes digitais a abrirem lojas físicas para ampliar a oferta de serviços.

Distribuidores entram na rota de risco

O efeito não se limitará ao varejo. A próxima lanço da crise, prevê o consultor, deve atingir os distribuidores. ‘’Muitos passaram a vender diretamente em marketplaces, concorrendo com seus próprios clientes. Quando o lojista quebra, deixa dívidas. Se o atacado não tiver caixa para aspirar tantas falências ao mesmo tempo, também cairá”, projeta.

Cabral aborda ainda a pulverização do setor, formado por 98% de pequenos negócios e somente 2% de grandes grupos. Mesmo assim, 50% do faturamento totalidade está nas mãos de empresas de maior porte. ‘’Isso faz com que milhares de pequenos empresários disputem uma fatia cada vez menor do mercado, justamente aqueles que, em sua maioria, ainda operam de forma amadora’’, observa.

Gestão, tecnologia e profissionalização: o tripé da sobrevivência

O consultor afirma que 100% dos problemas enfrentados pelas empresas do setor estão ligados à digitalização e gestão profissional. Os erros mais comuns envolvem confusão entre caixa da empresa e finanças pessoais, falta de processos e de padrão de atendimento e uso deficiente de ferramentas tecnológicas.

Ou por outra, o varejo tradicional precisa notar para o progresso de segmentos pouco explorados, uma vez que o mercado de pets não convencionais – peixes ornamentais, répteis, roedores e aquário oceânico. “Existe uma enorme oportunidade fora do óbvio. Mas o mercado ainda insiste em disputar sempre o mesmo cliente com os mesmos produtos”, afirma.

Estimativas sim, dados oficiais não

O número de pet shops que encerram suas atividades no Brasil pode ser muito maior do que se imagina. No entanto, a real dimensão desse declínio permanece invisível por justificação da falta de dados oficiais. A avaliação é do consultor Marco Gioso, da VetCoaches, que aponta uma irregularidade estrutural no monitoramento do mercado pet no país.

Segundo ele, não existe uma base consolidada e pública que mostre quantos pet shops estão em operação, quantos abriram e quantos efetivamente fecharam as portas. Um dos principais fatores que distorcem a leitura do setor é o trajo de que muitas lojas encerram as atividades, mas não dão baixa no cadastro vernáculo.  ‘’O CNPJ continua ativo, mas a loja não existe mais. Isso cria uma falsa sensação de segurança ou propagação no número de empresas’’, revela.

Na prática, isso impede qualquer diagnóstico preciso sobre a saúde financeira do setor, principalmente entre os pequenos negócios, mais vulneráveis à concorrência de grandes redes e à baixa margem de lucro. Um dos poucos caminhos para a obtenção de estimativa são os conselhos regionais de medicina veterinária. ‘’Clínicas e estabelecimentos que oferecem serviços veterinários precisam, em tese, manter um responsável técnico registrado’’, diz..

A subnotificação de fechamentos se amplia ainda mais porque o controle não é totalidade. ‘’Há lojas que operam somente no varejo, sem serviços clínicos, e que não passam por esse tipo de fiscalização direta’’, elucida.