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Os eleitores descrentes tendem a se fortalecer no atual cenário político brasílio, segundo estudo da observador social e política Elis Radmann, ao WW Privativo. Os escândalos recorrentes em Brasília impulsionam o grupo, que pode ser uma das principais “marcas” do próximo ciclo eleitoral.

Radmann pontua que, dentre os descrentes, “a maior segmento, inclusive, tende a não participar do pleito ou já não participava dele.” Com isso, ela prossegue, podemos ter “um aumento dos votos brancos ou nulos, ou da continência”.

Em 2022, o Brasil atingiu o recorde de abstenções no 1° vez na corrida presidencial. Na votação, 20,79% dos eleitores – ou 32 milhões de pessoas – não compareceram às urnas. Vale ressaltar que a continência foi menor no 2° vez daquele ano. Também em 2022, o país teve a menor porcentagem de votos brancos e nulos desde 2002.

E o lema dos céticos já é publicado. “Essas pessoas vão para grupos focais e dizem: ‘não quero saber, nenhum presta; [os políticos] são todos iguais.'”

Elis pontua que, além deste, outros três conjuntos de eleitores serão segmento importante das eleições em 2026.

1. Críticos

Essa parcela, segundo Radmann, é “aquela muito informados, que têm informação do que está acontecendo.” Radmann afirma que o sentimento dessas pessoas é que o Brasil entrou em um nível de “devassidão sistêmica”.

Em relatório da Transparência Internacional de 2025, o país atingiu sua pior nota desde 2012 e ficou na 107ª posição da lista.

Desde logo, o Brasil está ao lado de Argélia, Nepal, Tailândia e Turquia na percepção de integridade do país. Radmann explica que, para eles, a devassidão já está estruturada e é “uma vez que se fosse segmento da estrutura da corporação brasileira.”

2. Pragmáticos

O grupo de eleitores pragmáticos é aquele que “sofreu” e foi prejudicado diretamente pelos escândalos de devassidão. “Você tem, por exemplo, pessoas ligadas ao INSS ou parentes de pessoas ligadas ao INSS, ou vítimas de descaso do serviço público”, explica a observador.

Radmann diz que, para esse grupo, a marca da eleição será o conjunto de propostas anticorrupção dos competidores ao Palácio do Planalto. “Eles querem um candidato que traga solução para esses problemas”, segue, “eles dizem: ‘a devassidão está na agenda de todos, mas quero alguém que tenha a capacidade de resolver as questões'”, completou ao WW Privativo.

Com isso, o fator que mais pesará para o grupo é o “resultado propositivo” para o combate à devassidão.

3. Polarizados

A observador política explica que nesse ajuntamento estão “petistas e bolsonaristas”. Ela afirma que esses eleitores seguirão em resguardo das lideranças políticas, indiferentemente “dos escândalos de devassidão”.

Segundo Radmann, a estratégia é de sempre culpar o justador. “Se pegar, por exemplo, os não governistas, eles vão expressar que o orçamento secreto ou que o INSS tem a ver com a devassidão dentro do governo. Enquanto o outro vai tutelar dizendo que era do governo anterior”, explica.

“Cada grupo de eleitores está lidando com esse tema (escândalos de devassidão) de uma forma dissemelhante. Ou seja, vamos ter mais de uma marca para esta eleição do ponto de vista dos votantes”, afirmou.

WW Privativo

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