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A chegada do verão traz consigo não unicamente o calor intenso, mas também mudanças comportamentais que podem colocar as pessoas em situação de risco, principalmente em ambientes uma vez que praias. Em entrevista ao CNN Sinais Vitais, que vai ao ar neste sábado (24) às 19h30, o tenente-coronel Fábio Contreiras, do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, explica que a exposição prolongada ao sol associada à desidratação pode comprometer seriamente o julgamento e a percepção de risco dos banhistas.

Contreiras explica que, durante o período de calor intenso, as pessoas tendem a permanecer mais impacientes e menos tolerantes, o que afeta diretamente sua capacidade de calcular riscos. “Isso faz com que muitas situações tenham um julgamento do risco que elas estão, por exemplo, cá na praia, completamente desproporcional”, alerta o bombeiro.

Desidratação: um risco tristonho

Um cenário geral observado pelos bombeiros envolve pessoas que chegam cedo à praia, levam pouca chuva para forrar moeda e permanecem expostas ao sol por longos períodos. “Ela traz uma garrafa pequena, fica o dia inteiro na praia, não fica dentro do sombra. Muitas vezes quer pegar um sol e não entra no mar”, descreve Contreiras. Esse comportamento leva à desidratação progressiva, cujos sinais iniciais, uma vez que a sede, já indicam um estágio avançado do problema.

A desidratação provoca dois efeitos principais: alterações comportamentais e comprometimento cognitivo. No paisagem comportamental, a pessoa fica mais estressada e menos tolerante ao desconforto térmico, o que a leva a tomar decisões precipitadas, uma vez que submergir em áreas perigosas para se refrescar. Já no contexto cognitivo, a perda de líquidos reduz significativamente a capacidade de processamento mental.

“No final do dia, onde as pessoas estão cansadas, a pessoa já não observa muito muito a cor da bandeira, a pessoa já não atenta à orientação do guarda-vidas, ela já quer entrar num sítio mais perigoso”, alerta o tenente-coronel. Essa combinação de fatores aumenta consideravelmente o risco de acidentes uma vez que afogamentos e mal súbitos.

O técnico ressalta que a hidratação adequada é fundamental para manter a percepção de risco funcionando corretamente. Sem ela, as chances de ocorrências graves, uma vez que desmaios, síncopes e até mesmo afogamentos, aumentam significativamente, principalmente no período de maior exposição ao sol.