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Do zero, o jornalista, blogueiro e youtuber Rica Perrone resolveu fazer uma provocação direta à torcida do Gama. Em um observação ácido, no tom típico das redes sociais, afirmou que “ninguém torce pelo Gama” e que nem o presidente do clube seria torcedor individual, dividindo o coração entre o time do Região Federalista e clubes uma vez que Flamengo ou Vasco.

A frase caiu uma vez que faísca em palha seca. A reação foi imediata. E veio de uma forma pessoal: o próprio Gama decidiu expor o observação em suas redes sociais, questionando se aquilo era mesmo verdade ou exclusivamente mais uma generalização feita à intervalo, sem conhecimento da verdade sítio. Ao publicar o post (clique aqui e veja o vídeo) o clube abriu espaço para alguma coisa muito mais revelador do que a provocação original.

Os comentários viraram um retrato leal da complicação do tema. Houve quem concordasse com Rica Perrone, afirmando que ele exclusivamente descreveu uma verdade histórica do Região Federalista, onde muitos torcedores conciliam o clube sítio com times do Rio de Janeiro. Alguns chegaram a expressar que boa secção da lotação do estádio é formada por torcedores de clubes cariocas, com o Gama funcionando uma vez que identidade secundária.

Por outro lado, surgiram reações duras à generalização. Muitos apontaram ignorância, leitura superficial e um olhar recluso a um Brasil que já mudou. Para esses torcedores, o observação ignora a construção de identidade sítio, o vínculo territorial e o orgulho de quem escolheu o Gama uma vez que clube principal — e, em muitos casos, único.

Curiosamente, mesmo entre opiniões divergentes apareceu um ponto de consenso: o Gama é dissemelhante. Vários comentários reconheceram que quem é do Gama costuma ser, de vestuário, torcedor do Gama. Um vínculo mais orgânico, mais comunitário, que não se repete da mesma forma em outros clubes do Região Federalista. Essa propriedade, longe de enfraquecer o clube, reforça sua identidade.

No meio do debate, uma vez que era previsível, surgiram ironias, deboches e provocações gratuitas, com gente perguntando se o clube ainda existia ou tratando a discussão uma vez que motivo de riso. Zero fora do padrão das redes sociais. Mas quanto mais tentavam minimizar o Gama, mais evidente ficava o incômodo que ele provoca. E clube que incomoda, invariavelmente, tem torcida.

A imagem publicada pelo próprio Gama — o estádio Bezerrão lotado, tomado por camisas verdes — funcionou uma vez que resposta silenciosa, direta e impossível de ignorar. Não resolve o debate, mas desmonta a tese absoluta do “ninguém torce”. Pode possuir torcidas divididas, heranças de um pretérito em que o futebol do eixo dominava a televisão vernáculo. O que não cabe mais é tratar clubes locais uma vez que figurantes.

No término, a provocação de Rica Perrone acabou dizendo menos sobre a torcida do Gama e mais sobre a insistência em indagar o futebol brasiliano com lentes antigas. A reação coletiva mostrou exatamente o oposto do que se tentou pregar: o Gama existe, mobiliza, provoca debate e segue vivo. E quando o Bezerrão responde, dificilmente é em silêncio.