
A atividade econômica em 2026 deve “herdar” o movimento de desaceleração da economia, iniciado em 2025, com o freio do lucro cimeira segurando a inflação, e os estímulos fiscais e de crédito impulsionando o país. As principais casas de estudo, executivos do mercado financeiro e economistas convergem para um cenário de desenvolvimento do Resultado Interno Bruto (PIB) próximo de 1,7% – aquém dos 2% projetados para 2025.
Mas, há um alerta: os riscos de uma inflação persistente ainda rondam o país, e o início do namoro de lucro não fará com que ele caia a patamares que estimulem a economia, devendo terminar o ano em torno de 12% a 12,75%, um percentual ainda bastante restritivo.
Para o próximo ano, a vocábulo de ordem é cautela, mas sem pessimismo exagerado. O cenário base desenhado por grandes instituições aponta para uma atividade que perde fôlego em relação a 2025, mas que encontrará incitamento por meio das medidas governamentais que devem surgir em todas as esferas – municipal, estadual e federalista – já que teremos um ano de eleição.
| PIB projetado e realizado desde a pandemia | ||
| Ano | Projetado* | Realizado** |
| 2020 | 2,30 | -3,3 |
| 2021 | 3,41 | 4,8 |
| 2022 | 0,28 | 3 |
| 2023 | 0,78 | 3,2 |
| 2024 | 1,59 | 3,4 |
| 2025 | 2,02 | – |
| 2026 | 1,7 | – |
** Dados divulgados pelo IBGE em seguida revisão
Manancial: Relatório Focus do Banco Meão e IBGE
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O fator extrínseco e a cautela com a inflação
Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro do FGV Ibre, destaca que as atividades cíclicas, porquê indústria, setores de serviços, negócio, transporte, construção social devem continuar sentindo o efeito da política monetária e, portanto, tendem a crescer menos se comparado a outros setores, porquê o agronegócio e a indústria extrativa, que é alheia à restrição dos juros.
Ela alerta que, em 2026, o país pode não ter a seu obséquio, de novo, um cenário extrínseco favorável para a economia lugar, porquê se viu em 2025 com o impacto do câmbio. A política tarifária de Donald Trump acabou levando à desvalorização do dólar, o que ajudou a segurar a inflação e controlar o ritmo da atividade econômica. Sem esta força atuando sobre a economia, pode ser que os juros continuem altos por mais tempo, e segurem ainda mais o desenvolvimento do país.
Incentivo fiscal e riscos
Considerando o cenário descrito por Matos, o Monitor do PIB da FGV projeta um desenvolvimento de 1,9% no indicador. Para ela, o Brasil teve um ano “aparentemente fácil” para o controle da inflação devido ao impacto do câmbio, o que não deve se repetir em 2026. “Podemos expor que, em 2025, demos sorte. É porquê se tivéssemos ‘pretérito com nota’. A grande pergunta é: em 2026 será igual?”
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O Itaú Unibanco revisou sua projeção para o PIB de 2026 de 1,5% para 1,7%, citando explicitamente o impacto de políticas públicas. Em relatório assinado pelo economista-chefe Mario Mesquita, o banco destaca que o desenvolvimento deve ser maior no primeiro semestre do que no segundo, seguindo um padrão sazonal impulsionado pelas safras, ainda que com menor intensidade.
O banco detalha que o balanço de riscos permanece altista, “sustentado por medidas fiscais e progressão do crédito consignado privado“. Entre os vetores de desenvolvimento listados pelo Itaú, estão a ampliação da tira de isenção do Imposto de Renda, a ampliação do programa Minha Vivenda Minha Vida e iniciativas porquê o “Luz para Todos” e o “Gás do Povo”.
Na mesma risca, a XP Investimentos mantém sua projeção de subida de 1,7% para 2026. A corretora, em relatório liderado pelo economista-chefe Caio Megale e pelo economista Rodolfo Margato, avalia que as medidas de incitamento devem juntar 0,8 p.p. à taxa de variação do PIB em 2026.
A equipe da XP também destaca uma aceleração impulsionada pelos efeitos da reforma do IR e da aceleração nas concessões do crédito consignado para o setor privado. A vivenda reforça que o hiato do resultado — a diferença entre o PIB potencial e o efetivo — deve permanecer próximo de zero, indicando uma economia operando perto de sua capacidade totalidade.
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Enquanto os grandes bancos veem suporte fiscal, gestores e executivos do mercado financeiro demonstram preocupação com o dispêndio do verba. A taxa Selic, projetada para fechar 2026 em 12,75% pelo Itaú e em 12,00% pela XP, continua sendo o principal freio de mão.
André Matos, CEO da MA7 Negócios, projeta um cenário mais modesto. “Para o próximo ano, a expectativa é de um desenvolvimento moderado, próximo a 1%, dependendo essencialmente de duas condições: firmeza fiscal e uma sinalização mais clara do Banco Meão sobre quando a Selic poderá estrear a desabar”.
A visão de que a economia entra em uma período de menor dinamismo é compartilhada por Volnei Eyng, CEO da Multiplike. Segundo ele, “para 2026, as projeções indicam desaceleração da atividade econômica, com desenvolvimento esperado aquém do observado em 2025”. Eyng alerta que esse cenário exige “planejamento escrupuloso por secção de empresas e investidores”, mormente em estratégias de capital.
Agro vs. Indústria
Apesar da desaceleração, nem todos os setores caminham na mesma velocidade. A XP aponta que o setor de serviços continua aquecido, com inflação persistente devido ao mercado de trabalho apertado. A inflação de serviços é projetada pela vivenda em 5,3% para 2026, supra da meta.
Por outro lado, o agronegócio deve continuar sendo um motor relevante. A XP espera um “novo recorde para a produção agrícola” em 2026, com novos terminais portuários ampliando a capacidade de exportação de soja.
O Itaú também labareda a atenção para o setor industrial, que pode enfrentar desafios com estoques elevados e um câmbio médio projetado em R$ 5,50. A inflação solene medida pelo IPCA para 2026 é projetada em 4,2% tanto pelo Itaú quanto pela XP, supra do meio da meta, o que justifica a cautela do Banco Meão.
O ano de 2026 desenha-se porquê um período de ajuste fino. Se por um lado o governo injeta recursos na economia via programas sociais e crédito, por outro, a política monetária deve permanecer contracionista para domar a inflação de serviços. Para Sidney Lima, comentador da Ouro Preto Investimentos, o mercado precifica um “pouso suave”, onde a economia “não desaba, mas também não decola”.
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