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A megaoperação deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) nesta quinta-feira (4/12), para barrar a expansão do Primeiro Comando da Capital (PCC) na capital da República, culminou no cumprimento de mandados de prisão contra criminosos que já estão custodiados no Multíplice Penitenciário da Papuda.

Conforme assinalado pelos delegados Jorge Teixeira de Lima e Leonardo de Castro Cardoso, os presidiários integravam células independentes da partido paulista e, dentro da Papuda, trabalhavam para cooptar novos homens.

Invitação e batismo

Para trazer novos aliadas ao grupo, os criminosos, detrás das grades, costumam utilizar bilhetes para mandar recados e até convites aos outros detidos. Na operação desta quinta (4), papéis desse tipo foram apreendidos pelos investigadores.

De negócio com Lima, os homens também aproveitam os chamados banhos de sol, quando têm contato direto com custodiados de outras celas, para fazer propostas e, em alguns casos, firmar tratados.

“A partir do momento que esses criminosos são presos, eles mudam de função dentro da prisão e passam a trenar o papel que alguns chamam de ‘jet’, que é exatamente esse ‘função’ de vigiar o presídio, cooptar detentos, mandar recados”, explicou.

Advogados corrompidos pelo delito também funcionam porquê peças-chave nesses casos. “Às vezes, eles mandam recados por familiares, por advogados, tanto que existe, na partido, uma célula de ‘gravatas’, que é uma célula realmente nos traz muita preocupação, porque essas pessoas a gente não considera de roupa advogados, mas faccionados”, apontou.

Esses profissionais costumam, além de enviar recados para fora do presídio e trazer informações de fora aos presos, eles também viabilizam novos batizados.

”Geralmente há um jet um por pavilhão ou um ou dois por presídio. Eles cooptam, conversam em banho de sol, em recinto, aliciam, pegam os dados da pessoa que quer se ‘filiar’, a pessoa precisa ter um paraninfo para se batizar, e eles levam isso para um jurisperito, que repassa ao responsável pelo banco universal de registro, que depois repassa esses dados ao jurisperito, outra vez”, detalhou.

Nesta quinta (4), a PCDF cumpriu seis mandados de prisão e seis de procura e consumição, na Papuda. Um sétimo escopo é um detento custodiado em uma masmorra de Planaltina de Goiás (GO). Além desses, um varão que estava em liberdade foi recluso e um outro criminoso, que não era escopo da operação, foi encontrado escondido na mansão de um dos criminosos investigados pela investigação. Ele estava fugido em seguida ser sentenciado a 35 anos de prisão por diversos crimes.

As operações

Em ação conjunta entre a Delegacia de Repressão ao Delito Organizado (Draco/Decor) e o Gaeco (MPDFT), foram desencadeadas as operações Concórdia II e Occasus, que miram a reorganização de células ligadas à partido paulista.

Ao todo, 110 policiais foram mobilizados para satisfazer 25 mandados de prisão e 25 de procura e consumição em diversas regiões administrativas do DF, entre elas Samambaia, Santa Maria, Ceilândia, Planaltina, Recanto das Emas e Núcleo Bandeirante, além de endereços em Valparaíso (GO) e presídios do Região Federalista.

Concórdia II

A Concórdia II decorre da estudo de provas apreendidas na primeira período da operação, deflagrada em abril, quando 14 faccionados foram presos.

Na novidade lanço, 18 mandados de prisão foram cumpridos contra integrantes suspeitos de tráfico e roubo em Brazlândia e regiões próximas.

Occasus

A Occasus foi deflagrada em seguida a Draco identificar integrantes da partido paulista envolvidos na tentativa de homicídio de um rival ligado a uma partido carioca no Recanto das Emas. Nessa frente, foram sete mandados de prisão e sete de procura e consumição.

Durante a semana, outros 11 integrantes de uma partido sítio já haviam sido presos em desdobramentos da Operação Shot Caller, concluída em 2024.

A PCDF afirmou que a ação integra a 3ª edição da Operação Renorcrim, iniciativa vernáculo coordenada pela Senasp e pela Diopi, destinada ao enfrentamento de organizações criminosas em todo o país.