PATRÍCIA CAMPOS MELLO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
O AI Overviews, versão do mecanismo de procura do Google que fornece respostas geradas por perceptibilidade sintético generativa, provoca uma queda de no mínimo 20,6% no tráfico para sites de veículos de notícias. É o que aponta estudo da empresa de estudo de dados Authoritas.
O levantamento foi submetido ao Cade (Parecer Administrativo de Resguardo Econômica) pelas organizações Foxglove, Item 19 e Idec (Instituto de Resguardo de Consumidores) e pelo Meio de Tecnologia e Sociedade da FGV Recta Rio.
A queda no tráfico seria decorrente do fenômeno sabido uma vez que “zero clique”.
Na versão tradicional do Google, um usuário faz uma pesquisa e recebe uma vez que resposta uma série de links para sites, incluindo veículos de notícias. A partir daí, o usuário escolhe uma opção e clica, gerando tráfico para as páginas.
Com as versões uma vez que Modo IA ou AI Overviews, os usuários recebem um texto em resposta à procura, e alguns links mais para reles ou do lado recta da página do buscador. Mas muitas pessoas se satisfazem com o resumo gerado por perceptibilidade sintético e não clicam nos links o chamado “zero clique”.
Porquê consequência, os sites de notícias perdem audiência. Se dependem de anúncios, perder usuários diminui a receita publicitária. Se dependem de assinaturas, a queda nos cliques faz com que não sejam descobertos por potenciais novos assinantes.
Segundo o texto submetido ao Cade, as as versões de IA das buscas do Google foram treinadas com dados extraídos de veículos de notícias sem permissão ou remuneração. E os resumos exibidos são gerados a partir da extração de dados desses sites, novamente sem permissão ou ressarcimento.
Procurada, a assessoria do Google disse que não iria comentar e indicou uma postagem no blog solene da empresa. No texto, uma executiva da empresa afirma que o volume totalidade de cliques orgânicos da procura do Google permaneceu relativamente firme em relação ao ano anterior. Ela afirma também que os cliques de qualidade aqueles em que o usuário passa mais tempo no site aumentaram em seguida a adoção da IA nas buscas.
O Google oferece aos sites a opção de pedir que seus dados não sejam usados no treinamento dos modelos de IA. Mas, ao fazer essa opção, os veículos podem ser excluídos dos resultados das buscas. “Considerando que o Google detém 90% do mercado de procura, isso é uma pena de morte”, diz o estudo.
O documento aponta também que respostas usando IA aparecem em 35,3% das buscas de notícias e assuntos atuais no Brasil. Segundo Stella Caram, diretora jurídica da Foxglove, a tendência é piorar. “Na medida em que a implementação do Google AI Overviews avança, cada vez mais resultados vão chegar nesse modo, empurrando mais para reles da página os links de veículos de notícias”, disse Caram.
O levantamento foi submetido ao Cade em 13 de novembro uma vez que subvenção para o interrogatório que investiga se o Google abusou de sua posição dominante uma vez que mecanismo de procura para se beneficiar de teor jornalístico sem remunerar os veículos de prensa, o que teria gerado queda no tráfico e na receita com anúncios.
O caso no Cade, cândido em 2018, investiga se o Google fazia “scraping” (raspagem) de teor jornalístico. A plataforma estaria exibindo trechos de matérias de jornais sem direcionar os internautas aos sites dos veículos que as produziram. Na quadra, não havia IA incorporada à procura.
O estudo também afirma que o Google faz autofavorecimento na procura com IA, uma vez que os links que aparecem mais frequentemente nesses resultados são do YouTube, empresa que pertence à Alphabet, assim uma vez que o Google. O autofavorecimento viola regras de concorrência.
Para a pesquisa, a Authoritas compilou muro de 5.000 palavras e expressões-chave que os consumidores pesquisam em Google.com.br que geram visitas a sites de notícias brasileiros.
Com cada uma dessas, a empresa analisou a página de resultados das buscas. Segundo os pesquisadores, o Google se recusa a compartilhar dados detalhados que permitiriam aos veículos avaliarem sozinhos o impacto dos resumos gerados por IA.
“Na privação desses dados de primeira mão, o estudo da Authoritas adota uma estimativa conservadora do impacto dos resumos de IA no tráfico. Mesmo com essa abordagem cautelosa, os resultados mostram uma clara redução no tráfico. O impacto real deve ser potencialmente ainda maior”, diz o documento.
“É por isso que precisamos do Cade e de outros reguladores para agir com urgência e impedir que o Google roube o trabalho de organizações jornalísticas. Eles devem, no mínimo, prometer que os veículos tenham a opção de não permitir que seu trabalho seja ‘raspado’ pela IA, sem que isso os remova completamente dos resultados de procura”, diz Caram.
Segundo o estudo, na privação do modo IA, o link que era o primeiro resultado em uma procura tinha a taxa de clique de 21,4%. Com o AI Overviews, essa taxa cai para 8,93%.
“Isso significa que quando AI Overviews aparece em uma procura, os sites que anteriormente ocupavam o primeiro lugar podem esperar perder 58,3% dos visitantes para essa procura.”
A partir da estudo da penetração do Modo IA e da média de redução de cliques, o estudo estimou a queda no tráfico dos sites.
“Uma redução média de 20,6% no tráfico tem impacto financeiro severo em sites de veículos de notícias.
Eles terão de fazer cortes e isso significa redações esvaziadas e menos jornalistas realizando o trabalho vital de documentar e investigar o mundo, o que afeta a inconstância de informações disponíveis para o público, limitando a exposição a pontos de vista alternativos e enfraquecendo o debate informado em nossas sociedades já muito polarizadas”, diz o documento.
