O presidente Lula (PT) confrontou os presidentes das duas Casas do Congresso, que, por sua vez, também o enfrentaram e agora o ameaçam com duas armas poderosas: pautas-bomba que tornam a política fiscal ainda mais frágil em termos de estabilidade das contas públicas e a possibilidade de rejeitar a indicação feita pelo presidente para a vaga ocasião no STF (Supremo Tribunal Federalista).
Lula não tem, nunca teve e dificilmente conseguirá edificar uma maioria sólida no Legislativo, nem reduzir o impacto dos poderes que os parlamentares conquistaram para si mesmos por meio das emendas. O que parece dar tanta crédito ao presidente para confrontar o Congresso são dois fatores. O primeiro é a popularidade que ele espera aumentar com o proclamação feito nesta quarta-feira (26) da isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 milénio por mês. O segundo é o base que acredita ter no Supremo para barrar medidas provenientes do Legislativo que o desagradem, além das dezenas de investigações da Incisão contra parlamentares por mau uso de emendas.
O desequilíbrio e a inconsonância entre os Poderes não são novidade, mas a tensão política em Brasília (DF) aumentou significativamente. É nesse cenário que começam a surgir os chamados ao “diálogo”, sob o argumento de que “ninguém ganha zero com isso”. Na prática, porém, zero se resolve: os fundamentos dos problemas e das crises permanecem os mesmos, à espera de que as eleições do ano que vem mudem alguma coisa — eleições que, até cá, continuam completamente abertas.
