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Luis Stuhlberger, gestor do Fundo Virente, acredita que a gestão do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impulsionará a desvalorização do dólar e considera que o preço justo da moeda seria de R$ 4,40.

Em participação no Latin America Investment Conference (LAIC), do UBS, nesta terça-feira (27), Stuhlberger disse que “parece contra-senso, mas toda vez que alguém de direita ganha a eleição, o câmbio vai para o ‘fair value’ [valor justo]”.

No evento realizado em São Paulo, no Grand Hyatt Hotel, o director de investimentos da Virente Asset Management ponderou que o real, apesar de considerado, se apreciou muito menos quando comparado a outras moedas.

“Acredito que Trump vai fazer o inimaginável para que o dólar se desvalorize – ele está conseguindo, e esse movimento ainda não acabou”, complementou.

Escoltado de um recorde do Ibovespa fechando o pregão supra dos 181 milénio pontos, o dólar encerrou esta terça-feira em potente baixa no Brasil, novamente sob influência da queda da moeda norte-americana em relação a outras divisas no exterior.

A moeda norte-americana fechou com recuo de 1,38% no dia, negociado a R$ 5,2074 na venda. O resultado marca o menor fechamento desde 28 de maio de 2024, quando encerrou em R$ 5,1539.

“O câmbio hoje, na nossa opinião, está ainda extremamente fora do lugar e porquê é mais fácil de averiguar do que a bolsa, que é muito dependente de fluxos, pelo menos no limitado prazo”, disse Stuhlberger durante o tela.

Sobre juros, o gestor considera que a chance do Brasil remunerar lucro real próximo de 8% nos próximos anos é “nenhuma”. “Ou vai ter mais inflação, o lucro real diminui, ou o governo toma alguma atitude.”

As próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) no Brasil e do Comitê Federalista de Mercado Descerrado (FOMC) para deliberar as taxas de juros no Brasil e nos EUA serão nesta quarta-feira (28), e a expectativa é de manutenção em ambos os casos.

Arend Kapteyn, economista-chefe do UBS Global e cérebro das previsões globais, considerou que as oscilações internas na gestão do Federalista Reserve (Fed) tem potencial considerável de basilar a decisão das novas taxas de juros neste ano.

Em conversa fechada com jornalistas, ele afirmou que o diretor do Fed Christopher Waller, e a vice-chair de supervisão, Michelle Bowman, “não me parecem ter posições muito diferentes do que indicações que não são de Trump”.

Para o economista, as indicações do republicano não necessariamente vão mudar as políticas do BC americano. “Isso não é momentâneo.”

Trump é crítico à gestão de Powell e pressiona por cortes de juros, com troca de farpas pelas redes sociais e ameaças de processos judiciais.

Sobre o dólar, quando perguntado ‌por um jornalista se achava que a moeda havia derrubado demais, o republicano disse nesta terça-feira que o valor “está ótimo”.