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ADRIANA FERNANDES E LUCAS MARCHESINI
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

A prática já vinha sendo observada durante o processo de estudo pelo órgão regulador da venda do banco para o BRB (Banco de Brasília), mas cresceu nos últimos dias em meio à guerra jurídica no STF (Supremo Tribunal Federalista) e no TCU (Tribunal de Contas da União) travada entre os investigadores e os advogados do Master.

Os influenciadores vêm publicando posts com informações enviesadas sobre os acontecimentos em torno da liquidação do Master, com críticas à atuação do BC e à liquidação do Master.

Procurados por meio de sua assessoria, o Banco Master e Vorcaro não se manifestaram.

Labareda a atenção o vestimenta de que boa secção dos perfis de influenciadores recrutados serem de fofoca, sem relação com assuntos econômicos.

O ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Solução do BC, Renato Gomes, é um dos principais alvos. Foi a superfície dele que recomendou o veto à compra do BRB pelo Master e subsidiou os achados posteriormente relatados ao Ministério Público Federalista.

A ofensiva do dedo também mira o presidente do BC, Gabriel Galípolo, seus familiares, o diretor de Fiscalização, Aílton de Aquino Santos, além de banqueiros e associações do setor financeiro que organizaram uma contra-ofensiva em resguardo da mando monetária por meio de uma série de notas de pedestal à decisão técnica de liquidar o Master em novembro.

Numa postagem de quatro dias detrás no Instagram, em 2 de janeiro, o perfil @divasdohumor relata que a gestão de Renato Gomes no BC deixou um cenário de instabilidade no mercado financeiro. “Mudanças regulatórias frequentes, interpretações voláteis das normas e privação de sinalização clara ampliaram a instabilidade jurídica”, diz a postagem. Gomes deixou a diretoria do BC em 31 de dezembro.

“O papel do Banco Meão é reduzir incertezas. Quando decisões são mal explicadas, o efeito se espalha por todo o sistema, atingindo grandes instituições e também o crédito na ponta”, acrescenta a postagem. A publicação anterior do perfil trata de uma conversa entre Nicole Bahls e Gil do Vigor, e a seguinte, do papel das tias na instrução de crianças.

Procurado, Gomes não quis comentar. A interlocutores, o ex-diretor tem dito que não tem porquê “dignificar as besteiras” que têm sido publicadas.

Antes da repudiação da compra do Master pelo BRB, uma foto do diretor foi exposta em outdoors espalhados pela cidade de Brasília porquê uma forma de pressão. A estratégia acabou ampliando o espírito de corpo no colegiado do BC, que, por unanimidade, acatou o parecer de Gomes e vetou o negócio em setembro.

O presidente da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), Isaac Sidney, também ficou na mira. A entidade fez um mapeamento sobre os ataques sofridos por ela e afirmou, em nota, que identificou volume atípico de postagens em dezembro que a mencionam. Disse, ainda, que está analisando se o caso poderia ser caracterizado porquê um ataque coordenado.

Outro perfil que participa da ofensiva contra o BC é o @Festadafirma. Em 31 de dezembro, ele postou um teor sobre o caso na sua página do Instagram sobre os depoimentos prestados naquele dia por Vorcaro e pelo presidente do BRB à PF (Policia Federalista). A página é administrada pela Carteira Do dedo, escritório de marketing na internet.

A Carteira Do dedo informou que foi procurada para publicar teor sobre o Banco Master, mas que declinou o invitação na hora. A empresa afirmou que a postagem do perfil @Festadafirma “foi um post orgânico sobre um tema pertinente aos tratados na página. Não houve nenhum tipo de negociação ou remuneração para que esse teor fosse publicado”.

“O @festadafirma também, no último 18 de novembro, repercutiu reportagem sobre a liquidação do mesmo banco, publicada pelo ‘Valor Econômico’”, acrescentou. O perfil @Festadafirma, prosseguiu, tem um contrato de representação prioritária com a Carteira Do dedo, na qual ela representa comercialmente o perfil, “que também pode fechar parcerias e trabalhos por conta própria”.

A publicação reproduz um texto do site Notjournal, que mimetiza um site jornalístico, dizendo que na acareação entre os dois, ocorrida posteriormente os depoimentos, não houve projéctil de prata. Ele usa o ocorrido para criticar a atuação do Banco Meão, afirmando que se houvesse uma fraude escandalosa ela teria sido exposta na acareação.

A postagem é semelhante à outra feita no mesmo dia pela página Futrikei, que tem mais de 25 milhões de seguidores. “A tão aguardada acareação no caso do Banco Master terminou sem o impacto que muitos esperavam. O confronto entre o banqueiro Daniel Vorcaro e testemunhas durou murado de 40 minutos e não apresentou provas contundentes nem revelou novos fatos decisivos”, diz o texto.

A página é agenciada por uma outra empresa semelhante à Carteira Do dedo, o Grupo Farol. Outro portal do grupo, o Alfinetada, postou teor contra o ex-diretor do BC Renato Gomes em 30 de dezembro, dizendo existirem especulações de que ele poderia ir para o BTG.

Outra escritório com páginas participando da ofensiva é a Deubuzz. A reportagem encontrou quatro perfis de fofoca administrados pela empresa que postaram teor contra Gomes no mesmo dia 2 de janeiro. Procuradas, Deubuzz, Grupo Farol e Carteira Do dedo não responderam aos questionamentos da reportagem até o momento.

Empresas porquê as três administram diversos perfis em redes sociais, alguns próprios, outros de terceiros. Eles vendem espaços nesses perfis para postagens coordenadas, criando campanhas massivas na internet.

O jornal O Orbe revelou que influenciadores tinham sido procurados para postar teor em prol do Banco Master e rejeitaram a proposta. Nos dois casos apontados pelo jornal, o teor a ser postado faria secção de um projeto chamado DV, as iniciais do proprietário do banco Master, Daniel Vorcaro.

A reportagem cita o vereador de Erechim (RS) Rony Gabriel (PL), que disse ter sido procurado em 20 de dezembro com uma proposta para participar da campanha. “Estamos fazendo um trabalho de gerenciamento de crise para um executivo grande. E temos contratado perfis que se posicionam para nos ajudar nessa disputa política que estamos travando contra o sistema”, dizia a mensagem enviada para o vereador. O trabalho teria remuneração milionária.