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Tem uma diferença grande entre “dar entrevista” e “deixar desabar a armadura”. Foi isso que aconteceu com Sonia Abrão ao conversar com o meu “best” Leo Dias, no “Jornal dos Famosos”, Sonia, que construiu curso em cima de opinião firme e leitura afiada de bastidor, saiu do lugar geral e entregou um relato íntimo sobre perda, rotina e televisão sem o seu maior símbolo.

O tema era o Troféu Prelo, mas o que pesou mesmo foi a pouquidade de Silvio Santos. Sonia descreveu a experiência de entrar no estúdio e ver tudo montado, pronto para suceder, só que sem a presença que sempre ocupou aquele espaço. Ela não tratou porquê uma falta “institucional”. Tratou porquê um vazio emocional e profissional, de quem viveu décadas dentro de um envolvente atravessado pela figura do proprietário, do participador, do mito.

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Sonia em entrevista no Jornal dos Famosos, na LeoDias TV. Foto: reprodução/YouTube/LeoDias TV

Em determinado momento, ela admitiu que não gosta de falar sobre isso. E quando alguém que vive de falar diz que não gosta de falar, pode ter certeza que ali existe uma dor real. Sonia contou que chegou a travar. Que precisou se preparar para entrar. Que a pouquidade, naquele dia, deixou de ser teoria e virou trajo concreto, o tipo de choque que a gente só entende quando pisa no lugar e percebe que a história mudou.

A entrevista também revela um ponto que pouca gente encara de frente. A televisão é feita de rituais. Palco, luz, ordem do programa, texto, entradas, piadas internas. Quando uma figura do tamanho do Silvio sai de cena, esses rituais ficam “vazio” por um tempo. Não é só saudade, é reconfiguração de identidade. O Troféu Prelo, por exemplo, não é somente uma premiação. É uma peça da memória afetiva do público e uma vitrine histórica do SBT. Sem Silvio, o evento continua, mas a referência emocional muda.

Mesmo saída, Sonia confirmou ao Leo Dias que aceitou o invitação para a próxima edição do Troféu Prelo. Disse que vai, que já deu o sim, que estará lá. Ou seja, ela reconhece o peso do momento, mas não se ausenta dele. E esse pormenor é importante porque mostra compromisso com a história, com o ofício e também com quem fica, principalmente a família e a equipe que carrega o legado adiante.

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Sonia Abrão ficou muito emocionada ao fazer desabafo sobre Silvio Santos. Foto: Divulgação/SBT

Ela ainda citou Patrícia Abravanel, lembrando que a dor e a responsabilidade para quem está dentro da morada são infinitamente maiores. É uma fala que sai do lugar da comentarista e entra no lugar da colega de profissão. Com reverência, sem espetáculo.

No término, o que ficou foi um retrato vasqueiro. Sonia Abrão emocionada, sem pose, falando de luto e de televisão ao mesmo tempo. E mostrando que certas ausências não são somente uma mudança de elenco. São uma mudança de era.