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(Folhapress) Os hondurenhos deram uma novidade guinada à direita, elegendo à Presidência Nasry Asfura, ex-prefeito de Tegucigalpa, opositor conservador e que contou com um espeque de peso: o do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O Recomendação Pátrio Eleitoral (CNE) proclamou Asfura vencedor nesta quarta-feira (24), quase um mês em seguida a votação, realizada em 30 de novembro, por justificação de um processo de revisão de milhares de atas de votação com supostas irregularidades. O tardada e o caótico processo de divulgação geraram protestos no país e acusações de fraude.

Com 99,2% das urnas apuradas, o plenário do órgão eleitoral aprovou na noite de terça (23) um relatório com a proposta de declarar o vencedor “com os dados disponíveis até o momento”.

Segundo a domínio eleitoral, Asfura, do Partido Pátrio, recebeu 40,3% dos votos, vencendo o apresentador de televisão Salvador Nasralla, do Partido Liberal (39,5% dos votos), por uma vantagem de menos de um ponto percentual. A governista Rixi Moncada, do Liberdade e Refundação, ficou em terceiro.

Também concorreram na eleição, de vez único, o ex-assessor presidencial Nelson Ávila (Partido de Inovação e Unidade Social-Democrata) e o apresentador Mario Enrique Rivera Callejas (Partido Democrata Cristão).

O CNE tinha o prazo até 30 de dezembro para proclamar o novo mandatário e foi responsável por revisar centenas de atas com inconsistências. A solução, que foi aprovada por dois dos três conselheiros, rejeitou várias impugnações, o que abriu caminho para a designação de um vencedor.

O CNE encontra-se dividido por disputas políticas, uma vez que os três principais partidos repartem o controle do órgão e do tribunal eleitoral. “Não devo nem posso participar de um ato ilícito. Cá se consumará um golpe de Estado eleitoral”, afirmou o mentor Marlon Ochoa, representante da esquerda governista, o único a votar contra a solução.

Segundo Ochoa, ainda precisam ser analisadas 288 impugnações, nulidades e recursos. Ele fez uma denúncia ao Ministério Público.

Nasralla chegou a manifestar que não aceitaria a proclamação do resultado sem que todas as urnas fossem apuradas, e as atas com supostas irregularidades, revistas. “Estão impedindo a enumeração voto por voto”, disse ele em vídeo divulgado em suas redes sociais.

Neste mês, uma percentagem do Congresso já havia dito que pretende rejeitar os resultados, sob o argumento de que houve “golpe eleitoral”, acusando Trump de interferência no pleito.

Um relatório da missão eleitoral da Organização dos Estados Americanos (OEA) no país constatou atrasos e “falta de perícia”, mas descartou indícios de fraudes em um relatório divulgado no último dia 15.

O vencedor Asfura, 67, concorria pela segunda vez ao palácio José Cecilio del Valle, em seguida perder para a atual presidente, Xiomara Castro, há quatro anos. Sabido porquê Tito e com raízes palestinas, ele foi prefeito da capital hondurenha de 2014 a 2022. Seu procuração no comando da cidade foi marcado pela construção de obras de infraestruturas, mas também por acusações de ramal de fundos públicos.

Em sua campanha, ele prometeu “trabalho e mais trabalho” para a população, fez elogios ao programa econômico do prateado Javier Milei e disse se inspirar na política de segurança linha-dura de Nayib Bukele, de El Salvador.

Trump não só apoiou o candidato porquê concedeu indulto ao ex-presidente de Honduras Juan Orlando Hernández, coligado de Asfura, que tinha sido réprobo a 45 anos de prisão por tráfico de cocaína para os EUA.

Trump também tinha reforçado a ameaço de trinchar ajuda a Honduras se Asfura não vencesse. O espeque incluiu críticas à governista Moncada, que o americano chamou de comunista, e a Nasralla, que ele classificou porquê “quase comunista”.

A influência do republicano na política sítio pesou em um país que depende economicamente dos EUA e com 60% da população vivendo na pobreza. Os eleitores reforçaram os atuais movimentos da Lar Branca de estribar líderes da América Latina que estejam alinhados com seus objetivos e punindo os que não seguem esse caminho.

A questão dos imigrantes hondurenhos nos EUA era um ponto sensível nesse xadrez internacional. Em um primeiro momento, o atual governo bateu de frente com Trump, ameaçando rever a presença de militares americanos em seu território, caso o líder republicano insistisse na deportação de cidadãos do país. Depois, Tegucigalpa acabou cedendo e ofereceu espeque aos deportados.

Em uma entrevista dada antes das eleições, o porvir presidente comemorou o espeque recebido de Trump, afirmando que essa aproximação poderá trazer benefícios para imigrantes hondurenhos e para a economia do país, de forma universal.

“Hoje estamos em um dia muito importante para Honduras, em que precisamos tutelar a democracia, a liberdade e viver em sossego, que é o que cada um de nós deseja”, disse Asfura ao votar.

A polarização em Honduras se consolidou a partir do golpe de 2009 que depôs Manuel Zelaya, marido de Xiomara Castro. Moncada classificava seus adversários de “oligarcas do golpe”, enquanto eles a chamavam de aliada “comunista da Venezuela”.

Ao longo da campanha, os candidatos se concentraram em ataques mútuos, sem abordar as preocupações dos hondurenhos, porquê pobreza e violência. Ambos os lados alertaram sobre supostos planos de modificar os resultados.

Além de terem escolhido o presidente que governará o país de 2026 a 2030, os hondurenhos votaram em prefeitos, representantes para o Parlamento e renovaram as 128 vagas de deputados para o Congresso Pátrio (que é unicameral).