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PATRÍCIA CAMPOS MELLO
FOLHAPRESS

Associações de empresas de tecnologia e as frentes parlamentares evangélica e pelo livre mercado enviaram nesta terça-feira (25) ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos -PB), um documento pedindo que não seja pautada a urgência para o projeto de lei de concorrência nos mercados digitais, o PL 4.675/2025.

O projeto, que é prioridade do governo, aumenta o poder do Cade sobre as plataformas de internet e estabelece uma série de obrigações para as grandes empresas.

No manifesto enviado a Motta, entidades porquê a Associação Brasileira das Empresas de Software, a Associação Latino-Americana de Internet, a Camara-e.net, o Juízo Do dedo e o Instituto Livre Mercado pedem que seja criada uma percentagem próprio para fazer uma estudo aprofundada do projeto e afirmam que o PL não tem estudo de impacto regulatório, avaliação econômica ou estudo técnico que dimensione suas consequências práticas.

“Dada sua complicação, entendemos que a discussão não deve ocorrer de maneira açodada, sob pena de comprometer a qualidade das decisões legislativas e o posicionamento competitivo do Brasil no cenário global de inovação do dedo”, diz o documento.

O governo quer tramitação acelerada para o projeto, que é encarado porquê um legado em regulação das plataformas de internet, uma das bandeiras do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista à Folha, o secretário-executivo do Ministério da Rancho, Dario Durigan, afirmou: “A discussão de concorrência em mercados digitais está madura e deve ser enfrentada de inesperado pelo Congresso. Diante da aceleração da concentração do mercado do dedo, é a mais necessária”.

Integrantes do governo esperavam que Motta aprovasse o requerimento de urgência e pautasse a votação nos próximos dias. Mas, diante do mal estar entre o governo e Motta, reconhecem que as chances de isso suceder diminuíram.

“Um debate desta magnitude ser realizado de maneira açodada abre margem para a increpação nas redes sociais e o retraimento de investidores e investimentos do país”, disse à Folha o deputado Rodrigo Valadares (União SE). “A proposta de realizar a regulação econômica via Cade mostra mais uma tentativa do atual governo de reduzir vozes dissonantes.”

No manifesto enviado a Motta, as empresas voltam a discutir que o projeto terá grande impacto sobre consumidores e pequenas empresas, “que arcarão com preços mais altos e serviços mais limitados” por motivo dos custos de se ajustar às medidas determinadas pelo Cade.